Enfim, os Reviews de Games impactam nas vendas?

reviews

por @rodrigocunha

Reviews, análises, críticas: um mal necessário?

Talvez nada se equipare ao volume e a frequência de lançamentos da indústria de cinema e música em todo o mundo. É crítica pra tudo que é lado. Como a indústria de games tem crescido muito e, consequentemente sua relevância vem crescendo em igual proporção já há algum tempo, principalmente no Brasil, é notável também o crescente número de publicações respeitadas no meio, tanto na internet quanto fora dela. É nego criticando games como fossem filmes. Sim, isso é bom 🙂

Mas os reviews realmente impactam nas vendas de games?

 

OS ANOS 90 E AS REVISTAS DE GAMES BRASILEIRAS

Antes de começar a falar sobre a importância dos reviews no meio gamer, vale a pena lembrar como tudo acontecia, quando ainda nem se ouvia falar de internet e, quem tinha um PC ou Mac eram somente aqueles afortunados, principalmente no Brasil. No início da década de 90, as principais publicações relacionadas a games no Brasil (que eu lembro) eram: Ação Games, GamePower, Super Game, Super GamePower (fusão das duas anteriores) e VideoGame, que foi a pioneira por aqui e sim, eu ainda tenho a número 1 guardada 🙂

Também lembro bastante das publicações gringas que chegavam por aqui: GamePro (pra mim, essa era tida como uma bíblia sagrada), GameFan e a Electronic Gaming MonthlySEGA e Nintendo, que eram as duas grandes, já tinham representação por aqui. A Tectoy representava a SEGA (Master System, Mega Drive, GameGear) e a Gradiente representava a Nintendo (Phantom System – que era o equivalente ao Nintendo 8 bits, popularmente conhecido por aqui como Nintendinho). Mais tarde surgiu a Playtronic, que trouxe o Super Nintendo.

Nessa época, ficar informado sobre o lançamento de novos consoles, acessórios e games, dependia de você ir até a banca e comprar algumas dessas publicações. Lembro bem de ficar muito tempo caçando bancas, sempre em busca das publicações gringas, que traziam as notícias em última mão. Dá uma olhada nesses dois vídeos aí embaixo. O primeiro fala sobre como funcionavam as coisas na redação da Ação Games e o segundo, da Super Game Power, fala sobre a criação da revista e também sobre quem foi a tal “Marjorie Bros”. Tentei postar também o vídeo sobre a criação da Revista Videogame, a pioneira no Brasil, mas o embed não funcionou. Clica nesse link e dá uma conferida, porque também vale pena 🙂

 videos via ApertaStart

PERAÍ, E COMO EU FAZIA PRA VER A GAMEPLAY?

Se depender do que era possível na época, creio que os reviews eram ainda mais importantes do que são hoje. Durante aquele período, tudo dependia da pessoa que testava e fazia o review do game. O máximo que tínhamos disponível eram fotos! Nada de gameplay. Nada de trailer. Raríssimas vezes, uma demo, que era enviada somente para as redações e também eram chamadas de Eprom. Muitas vezes, as fotos que acompanhavam a matéria tinham baixa qualidade, pois eram tiradas direto da tela de uma TV de Tubo! Quando tratava-se de um grande lançamento, essas publicações recebiam releases com fotos melhores. Mas nem sempre isso acontecia.

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Quando uma revista colocava o selo THE BEST no review, pronto. Era um título must have! Aqueles reviews influenciavam demais. Ainda mais quando quem o escrevia realmente entendia do assunto, demonstrando vibração em cada linha. Ok, você já estava convencido e queria jogar o game. O que fazia? Procurava uma locadora. E sim, eram MUITAS nessa época, pois comprar games piratas dependiam sempre de alguém que fosse para o Paraguai (logo depois a pirataria de cartuchos se desenvolveu por aqui também) ou para os EUA.

Na locadora começava o drama. O dono comprava, no máximo, duas cópias do título lançado. Então sempre rolava aquela fila de espera. Quando o título era devolvido, todo mundo partia pra cima do balcão, disputando o aluguel do game a tapas. Era emocionante e eu lembro com bastante saudosismo dessa época 🙂

MAS E HOJE? QUAL O PESO DOS REVIEWS?

A maioria dos reviews de lançamentos hoje sofre embargo, ou seja, só podem ser publicados no horário determinado no próprio release, que geralmente antecede a data de lançamento do produto. Há casos onde a autorização de publicação acontece exatamente no dia do lançamento.

Há quem diga que isso acontece para “proteger” produtoras que não confiam no seu produto, conseguindo vender o produto nos primeiros dias para aqueles que não conseguiram ler o review. Mas, não acredito muito nessa hipótese, já que grandes produções frequentemente fazem uso do mesmo procedimento. É mais uma tática de PR, para que ninguém dê furo, e todas as publicações sejam beneficiadas.

“Já aconteceu com você, estar super interessado em um game e aí começa a ler os reviews e desiste da compra? E o contrário?”

Pois é, eu cheguei a ler há pouco tempo uma matéria sobre reviews de games na web. Não encontrei o link, por isso não postei aqui. A matéria falava sobre a frieza desse tipo de conteúdo, a ponto de as pessoas procurarem diretamente a nota final para decidirem se vão ou não comprar o título. A matéria também falava do impacto das notas do IGN e do Metacritic nas vendas de vários lançamentos. Afinal, as pessoas deixam mesmo de comprar quando uma nota é ruim em um veículo respeitável?

review20

UMA NOTA JÁ TE FEZ MUDAR DE IDEIA?

Bem, na minha opinião, essas notas tem sim um peso, mas em contra partida, temos o YouTube e o Twitch, que é um serviço que possibilita assistir gameplays de diversos títulos, principalmente de games recém-lançados. Isso faz com que  você mesmo tire a sua conclusão sobre o jogo. Você não vai conseguir sentir como funciona a jogabilidade, mas vai dar pra ter uma boa ideia sobre gráficos, som e desafio.

“Mas vamos lá, quando está pra sair aquele review que você espera há meses, você fica dando F5 no site, louco pra ver a nota?”

Quando a nota é boa, você se sente aliviado e empolgado e aí sim vai ler todo o texto. Quando a nota é ruim, há grandes chances de você reconsiderar a compra. Mas, sempre vale ter em mente que review é sempre a opinião de UMA pessoa e há casos de games que foram mal avaliados e, no fim das contas, são bons jogos. Talvez o exemplo mais recente seja Beyond – Two Souls, onde IGN e EDGE deram uma pálida nota 6.0 e o Metacritic apresenta nota 8.1, uma média de avaliação dos próprios usuários do site.

metacritic

METACRITIC: CASA DOS HATERS?

É, o Metacritic é polêmico. Por se tratar de um serviço que confronta as notas de publicações oficiais com notas dadas por usuários, geralmente sempre há polêmica e discussão no site. Sabe-se que há grande concentração de haters lá dentro, ou seja, pessoas que só acessam o serviço pra dar nota baixa, sem nem ter experimentado o game, somente pelo prazer de ver o score médio diminuir. Geralmente acontece quando há jogos exclusivos em uma plataforma e os donos dos consoles rivais entram em guerra e os ânimos afloram 🙂

Concluindo, creio que a importância dos reviews é e sempre será grande porque sempre vamos precisar de pessoas que “moderem” o discurso. O Metacritic está aí pra provar que opiniões baseadas SOMENTE no que os usuários pensam, tornam-se inviáveis, já que sempre entram na conta a rivalidade, o ódio e o simples prazer de “causar” e trollar. Mas há de se reconhecer que essa importância tem diminuído exatamente por conta do YouTube e do Twitch, além das próprias redes sociais, como Facebook e Twitter, onde seus amigos vivem postando fotos e vídeos de gameplay, dando a própria opinião sobre o game.

Afinal, antes de comprar um game, você valoriza mais uma nota dada por um veículo, uma gameplay de YouTube/Twitch, ou o comentário de um amigo próximo, que também é tão gamer quanto você? 🙂

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