O iPad Air e a evolução dos games mobile

fotoipad

por @rodrigocunha

Você prefere games de console ou mobile?

Bem, são experiências bem diferentes, e esse nem é o tema do post (estou preparando um exclusivo sobre esse tema). Mas a pergunta vem de encontro ao evento que a Apple realizou ontem, onde foi apresentado, entre outras coisas, os novos iPads.

Isso virou pauta aqui no blog pelo fato de o iPad Air, o novo iPad a ser lançado, vir com um processador A7 incorporado. É o mesmo processador já presente no iPhone 5S. O que o torna especial é o fato de ele ser o primeiro processador mobile a processar informações em 64 bits!

FINALMENTE, GRÁFICOS “CURRENT GEN”?

Esse é o ponto. Significa então que agora o iPad terá gráficos iguais aos de PS3 e Xbox360, como já foi alardeado por algumas desenvolvedoras? Muita calma nessa hora 🙂

Ter um processador com capacidade para interpretar dados em 64-bit apresenta grandes vantagens, entre elas a possibilidade de utilizar memória RAM superior a 4GB! Já imaginou um tablet com toda essa memória? Infelizmente o iPad Air não possui essa memória, nem o iPhone 5S. Segundo informações postadas em forums de desenvolvedores e alguns sites mais técnicos, o iPhone 5S  possui 1 GB de RAM, possivelmente a mesma quantidade de memória do iPad Air.

Dessa forma não há como extrair 100% da capacidade do processador A7 com relação a renderização em games, por exemplo. De qualquer forma, um device que dotado de um A7 trabalhando com 1GB de RAM já consegue demonstrar um considerável ganho de performance com relação a qualquer outro device fazendo uso de um processador de 32 bits. Entre vários benefícios, até o momento o mais perceptível é o tempo de carregamento de games e apps, os famosos loading times. Além disso, o A7 64-bit possui mais espaço de armazenamento de unidades chamadas “registros”, que poderão computar dados de maneira mais eficiente.

Apple-A7

Como os devices de ponta da Apple (iPhone 5S e iPad Air) agora são devices 64-bit, a Apple dá uma ferramenta extra aos desenvolvedores, permitindo que os games possam fazer uso de tais funcionalidades, tornando os games mobile tanto para iPhone 5S quanto para iPad Air, mais próximos do que estamos acostumados a ver em nossos PS3 e Xbox360. Mas, a memória RAM de dispositivos mobile ainda é um fator limitador. De nada adianta ter um super processador se ele não trabalha em conjunto de uma memória RAM generosa.

OS CONSOLES ATUAIS ESTÃO PEDINDO ÁGUA

Basicamente, é o que estamos observando com os consoles Current Gen há cerca de 1 ano e meio: os processadores até seguram a onda pra ir um pouco mais longe em termos de processamento, mas a memória RAM ainda limitada de ambos os consoles (512MB) funciona como uma âncora, obrigando desenvolvedores a ter que limitar o próprio escopo de projeto dos games, sendo obrigados a otimizar o desenvolvimento ao máximo. Isso leva mais tempo, o que nos leva a um maior custo para a produtora. Mas, esse esforço extra, alinhado a profunda intimidade com ambos os hardwares, tanto da Sony quanto da Microsoft, e o lançamento de engines cada vez mais poderosas, tem permitido que verdadeiras pérolas sejam lançadas. The Last of Us e GTA V são exemplos claros de superação 🙂

O iPad Air e o iPhone 5S estão se aproximando sim do que estamos acostumados a ver na atual geração (no vídeo abaixo você confere o iPhone 5S rodando Infinity Blade III). Porém, é bom lembrar que toda a arquitetura de um console é planejada para rodar jogos, ou seja, eles fazem isso muito bem, mesmo com memória limitada. Já devices mobile não são projetados para games. São dispositivos multitarefa e precisam lidar com todo dipo de app que você instala, navegar na web, fazer ligações … Os consoles atuais já demonstram o desejo tanto da Sony quanto da Microsoft, no que diz respeito a transformá-los também em dispositivos multitarefa. E é o que vamos presenciar com o PS4 e o Xbone, ambos dotados de até 8GB de RAM.

O PS4, por exemplo, irá utilizar 5.5GB de RAM para jogos. O restante ficará disponível para gerenciar multitarefa. Portanto, um iPad Air que possui 1GB de RAM, deverá utilizar somente parte dela para lidar com games. O quanto dela é exclusiva para isso ninguém sabe, já que a Apple não divulga.

O fato de o iPad Air e iPhone 5S estarem se aproximando dos consoles atuais em termos de processamento e apelo visual, também chama a atenção para um fenômeno que está acontecendo de maneira cada vez mais rápida: cada iPad/iPhone tem ciclo de hardware de 1 ano. Consoles chegam a 10 anos. Como a Apple implementou processadores 64-bit em seu devices topo de linha, é certo que ela planeja fazer um grande aporte de memória nesses dispositivos nos próximos anos. Eu não duvido, por exemplo, de que quando chegarmos ao final da próximo geração de consoles, os Apple devices já tenham alcançado o que os next-gen serão capazes de fazer.

Mas calma lá, isso levanta uma outra questão: queremos realmente que os games mobile tornem-se cada vez mais parecidos com os games para console? Ou queremos algo mais descontraído, mais apropriado para cada situação, deixando a experiência hardcore mais para a nossa sala de star, com home theater e TV de 50 polegadas? E quem sabe esse papo de hardware seja coisa do passado muito brevemente, fazendo com que todo o processamento de games mobile também seja através da nuvem? Sim, é uma possibilidade muito mais remota, até porque as operadoras de dados entrariam em parafuso. Mas não custa imaginar.

E você, o que acha de tudo isso? Let’s talk! 🙂

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