4 razões para Tablets não substituirem Consoles

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por @rodrigocunha

Gente que adora aparecer em notícias é o que não falta. Gerar polêmica, então, nem se fala 🙂

Hoje foi a vez de Greg Richardson, CEO da Rumble Entertainment. Segundo ele, “O aumento de poder e flexibilidade de todos esses dispositivos é incrível. Quando penso nos próximos consoles (PS4 e Xbox One) e em quem vai ganhar essa guerra, acho que o vencedor é claramente o tablet. Não é só o poder subestimado dos processadores que vai levar a isso. O aumento de flexibilidade, onde vemos essas coisas conectadas a televisores e também plugados com controles? Isso é tudo muito legal. Os jogos que estamos fazendo levarão essas experiências ao máximo”, explica.

Ele continua, dizendo que “A fidelidade gráfica, a habilidade de jogar com qualquer um que tenha Android ou iOS, poder carregar essas coisas aonde quer que você vá e o estilo que permite ao jogador ficar de trinta minutos a uma hora jogando por vez… tudo isso é um grande desafio para o tipo de produtos que fazemos”.

O que o CEO da Rumble fala é um típico discurso de CEO querendo valorizar a própria empresa. É um discurso genérico, que não leva em conta quatro  pontos que julgo importantíssimos e fazem com que games de console e mobile sejam tão diferentes:

1. CASUALIDADE

Games mobile são feitos para consumo rápido e geralmente possuem sistema de evolução de personagem baseado em monetização, ou seja, para destravar benefícios extras, o usuário vai precisar comprar moedas virtuais. Sem falar, é claro, que games mobile são feitos para que seja possível jogar em qualquer lugar, seja dentro do metrô, num consultório médico, elevador, fila de banco. São games que não dependem essencialmente de som, por exemplo, já que priorizam experiências breves e práticas.

2. JOGABILIDADE

Outro fator preponderante aí é a limitação de possibilidades de comandos em games mobile. Consoles têm joysticks que possuem, em média, 8 botões. Isso abre diversas possibilidades durante o processo de concepção e escopo de um game, resultando também na profundidade da experiência. Mobile devices possuem tela limitada, mesmo os tablets. Caso um game dependa demais de comandos mais elaborados, a interface para o usuário ficará inevitavelmente poluída, ocupando um espaço valioso na tela. E cá entre nós: tocar na tela para gerar uma ação não é lá muito amigável. recentemente, a Logitech anunciou um joystick que serve para ser acoplado em smartphones, oferecendo mais botões e possibilidades. Mas, vamos lá, nesse caso não vale mais a pena comprar um Nintendo 3DS ou um Vita?

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3. IMERSÃO

Aqui temos um ponto bastante crítico. O fator imersão é algo que mobile devices jamais conseguirão proporcionar. Não há como simular a experiência de jogar em uma grande sala, com uma TV LED 50 polegadas + Home Theater de última geração, aquele game com roteiro elaborado, que prioriza não apenas a parte gráfica, mas também a parte sonora. Telas maiores tendem a favorecer a imersão. Do que adianta jogar em um mobile device com altíssima definição, se o tamanho da tela é limitado?

4. AMADURECIMENTO DE HARDWARE

Consoles tendem a entregar jogos cada vez mais complexos não somente pelas especificações técnicas. O grande lance aí é o tempo que as produtoras têm para conhecer profundamente a arquitetura de processamento dos consoles. Como o ciclo de vida deles gira sempre em torno de 7 ou 8 anos, os devs passam a conhecer todos os truques necessários para otimizar o desenvolvimento e explorar ao máximo as capacidades de cada console, espremendo poder até a última gota. Sem falar que não há grande fragmentação, já que sempre existem 2 ou, no máximo, 3 consoles por geração.

Mobile devices são atualizados todo ano e donos de devices mais antigos vão querer continuar a jogar os games nos seus antigos devices. Isso gera uma dor de cabeça para as produtoras, pois os games passam a ser pensados não tendo em mente o melhor hardware, mas sim pensando em como otimizar tempo e dinheiro para entregar um produto que funcione bem em todos os modelos.

Além de tudo isso, os portáteis (GameBoy, GameGear, Nintendo 3DS, PS VITA e tantos outros), nunca sequer ameaçaram a produção de consoles. Sempre foram complementares. Eu diria que hoje eles estão entre uma experiência mobile e console, se aproximando mais desse último.

Há outro ponto também a ser considerado. Executivos da Sony já mencionaram que o sucessor do PS4 será um tablet. Há várias maneiras de interpretar essa informação. Primeiramente, hoje a palavra tablet também é genérica. O controle será um tablet ou o console? O Playstation Tablet irá projetar a imagem na TV e terá várias funcionalidades ou a experiência será focada essencialmente em games?

O que vem por aí ainda não se sabe. Mas, o que temos certeza é que gamers hardcore e gamers casuais sempre existirão e, para ambos, sempre haverão smartphones, tablets, consoles e portáteis 🙂

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